Ovinocultura no Brasil: como começar e por que falta cordeiro de qualidade

A criação de ovinos vem conquistando espaço entre produtores rurais, investidores e pessoas que desejam iniciar uma atividade no campo. O ciclo produtivo mais curto, a possibilidad
A criação de ovinos vem conquistando espaço entre produtores rurais, investidores e pessoas que desejam iniciar uma atividade no campo.
O ciclo produtivo mais curto, a possibilidade de trabalhar em propriedades menores e o crescimento da procura por carne de cordeiro ajudam a explicar esse interesse.
Mas entrar na ovinocultura exige muito mais do que comprar algumas matrizes e colocá-las no pasto. Alimentação, estrutura, genética, manejo sanitário, mão de obra e comercialização precisam ser planejados antes da chegada dos primeiros animais.
Foi sobre esse universo que a Central da Marcha conversou com Daniel Cipolletta, zootecnista da Cabanha Interlagos e da Interlagos Gourmet. Ligado à atividade desde a universidade, ele compartilhou sua experiência com genética ovina, produção de cordeiros, comercialização de carne e relacionamento com produtores parceiros.
Enquanto o bate-papo acontecia, a cozinha da Central da Marcha preparava um T-bone de cordeiro acompanhado de risoto, conectando as duas pontas da atividade: a criação no campo e o produto que chega à mesa do consumidor.
O crescimento da ovinocultura no Brasil
A ovinocultura brasileira está presente em diferentes sistemas de produção e regiões do país.
Segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, o Brasil alcançou aproximadamente 21,9 milhões de ovinos em 2024, o maior efetivo registrado na série histórica.
A maior concentração continua no Nordeste, com destaque para estados como Bahia e Pernambuco. No entanto, a atividade também se desenvolve em outras regiões, com sistemas, objetivos e níveis de tecnificação diferentes.
Esse crescimento do rebanho não significa que toda a demanda por carne de qualidade esteja atendida.
O mercado não procura apenas um número maior de animais. Restaurantes, açougues, supermercados e marcas especializadas precisam de regularidade, procedência e padronização.
É justamente nesse ponto que aparece uma das principais oportunidades da atividade: produzir cordeiros dentro das características exigidas pelo comprador e entregá-los com frequência suficiente para abastecer o mercado.
Quem é Daniel Cipolletta?
Daniel Cipolletta é zootecnista e está na Cabanha Interlagos desde 2010.
Seu contato com a ovinocultura começou antes, durante os estágios realizados na universidade, quando o interesse pela atividade se transformou em uma escolha profissional.
Atualmente, seu trabalho está ligado à gestão da Cabanha Interlagos e da Interlagos Gourmet, reunindo atividades relacionadas à genética ovina, produção de cordeiros e comercialização de carne.
Localizada em Valinhos, no interior de São Paulo, a Cabanha Interlagos iniciou sua criação em 2004.
O trabalho da propriedade está relacionado à seleção e ao melhoramento genético de ovinos, especialmente das raças Dorper e White Dorper.
Em 2017, nasceu a Interlagos Gourmet, ampliando a atuação da empresa para além da genética e levando ao mercado a carne de cordeiro produzida com identidade própria.
Conheça a Cabanha Interlagos:
https://www.instagram.com/cabanhainterlagos/
Conheça a Interlagos Gourmet:
https://www.interlagosgourmet.com.br/
Como surgiu a Interlagos Gourmet?
A Interlagos Gourmet nasceu de uma oportunidade identificada dentro do próprio processo de seleção genética.
Nem todos os animais de um rebanho de elite permanecem no programa de reprodução. Alguns podem apresentar características que não correspondem aos objetivos de seleção da cabanha, ainda que sejam animais adequados para a produção de carne.
Antes da criação da marca, esses animais eram comercializados diretamente com frigoríficos.
A equipe percebeu que poderia transformar esse produto em uma carne com identidade, procedência e padrão próprios.
A operação começou com aproximadamente 40 a 50 cordeiros abatidos por mês.
Segundo Daniel, atualmente o volume gira em torno de 800 animais mensais, chegando a aproximadamente mil cordeiros em determinados períodos.
O crescimento exigiu a construção de uma rede de produtores parceiros.
A propriedade de Valinhos não teria área suficiente para concentrar toda a produção necessária e, ao mesmo tempo, manter o rebanho voltado ao melhoramento genético.
A solução foi fornecer genética e estabelecer critérios de produção para criadores que pudessem entregar animais dentro do padrão exigido pela marca.
A importância da padronização da carne de cordeiro
Quando se fala em padronização, não se trata apenas de estética ou apresentação da embalagem.
Restaurantes e açougues precisam receber cortes semelhantes em tamanho, peso e espessura.
Isso interfere no tempo de preparo, no rendimento das porções, na apresentação dos pratos e na experiência do consumidor.
No episódio, Daniel explica que a carcaça do cordeiro é menor e exige cuidado especial durante a desossa.
Uma diferença aparentemente pequena no corte pode comprometer a regularidade esperada por um restaurante.
No caso dos T-bones preparados durante o programa, por exemplo, as peças seguiam uma medida padronizada de espessura.
O mesmo princípio é aplicado a paletas, pernis, carrés e outros produtos.
Portanto, o valor da carne não depende apenas da raça ou do peso do animal.
Ele também é construído pelo manejo, pela idade de abate, pela alimentação, pelo acabamento da carcaça, pelo processamento no frigorífico e pela apresentação final.
Por que ainda falta cordeiro de qualidade?
Durante a conversa, Daniel afirma que o mercado ainda enfrenta dificuldade para encontrar cordeiros produzidos dentro de um padrão consistente.
Essa falta não deve ser interpretada somente como ausência de animais.
Um comprador profissional precisa receber volumes regulares, com características semelhantes e origem conhecida.
Um produtor que entrega cinco animais em determinado mês e depois passa meses sem nova produção pode encontrar dificuldade para negociar diretamente com indústrias ou grandes compradores.
Da mesma maneira, um comprador não consegue montar uma operação estável se cada lote chega com peso, idade e acabamento muito diferentes.
O desafio, portanto, está em organizar a cadeia produtiva.
Isso envolve:
• planejamento reprodutivo
• produção de alimento durante todo o ano
• manejo sanitário
• definição da idade e do peso de abate
• padronização dos animais
• formação de lotes
• logística
• frigorífico adequado
• garantia de comercialização
O episódio mostra que a oportunidade existe, mas depende da capacidade de produzir com previsibilidade.
Como funciona a parceria com pequenos produtores?
Uma das experiências apresentadas por Daniel é a parceria da Interlagos Gourmet com produtores ligados à COOVICAP, cooperativa localizada em Santa Catarina.
Nesse modelo, diferentes criadores entregam seus cordeiros para a formação de lotes maiores.
Um produtor pode fornecer poucos animais, enquanto outro consegue entregar dezenas.
Quando reunida, essa produção se torna comercialmente viável.
Segundo Daniel, algumas cargas chegam a ser formadas com animais de aproximadamente 30 produtores.
A Interlagos Gourmet garante a compra dos cordeiros que atendem aos critérios estabelecidos.
Esse tipo de organização ajuda a resolver um dos principais problemas do pequeno criador: produzir um número insuficiente de animais para negociar individualmente com um grande comprador.
Além disso, a garantia de compra oferece mais segurança para que o produtor invista em genética, alimentação e estrutura.
A contrapartida é cumprir o padrão exigido.
Conheça a COOVICAP:
https://www.instagram.com/coovicap/
Vale a pena investir na criação de cordeiros?
A resposta depende do planejamento e das condições de cada propriedade.
No episódio, Daniel relata que o valor pago pelo cordeiro de abate aumentou consideravelmente nos últimos anos.
No entanto, valorização de mercado não significa lucro automático.
Antes de começar, o produtor precisa responder a algumas perguntas:
• Quem comprará os animais?
• Qual padrão o comprador exige?
• A produção será destinada à carne ou à genética?
• De onde virá o alimento durante o período seco?
• Qual será o sistema de criação?
• A propriedade possui mão de obra adequada?
• Existe assistência técnica disponível?
• Quais custos serão necessários até a primeira venda?
O erro mais comum é começar pelo animal.
A compra das matrizes e dos reprodutores deveria acontecer depois da definição da estrutura, da alimentação e da estratégia comercial.
Como foi dito durante o programa, o animal é a “cereja do bolo”.
Antes dele, existe toda uma operação que precisa estar pronta.
Quanto de terra é necessário para começar?
Não existe uma área única que sirva para todos os projetos de ovinocultura.
O tamanho necessário depende da finalidade da criação, da qualidade do solo, da disponibilidade de água, do tipo de pastagem, da produção de alimento, da quantidade de animais e do sistema adotado.
Uma propriedade pequena pode utilizar sua área para produzir capim, silagem ou outro volumoso e manter parte dos animais em sistema intensivo.
Outra pode trabalhar com os animais a pasto, exigindo uma área compatível com a capacidade de suporte da propriedade.
No episódio, é apresentado o caso de um produtor parceiro que mantém aproximadamente 120 matrizes em uma área total de três hectares, além de outras atividades.
Esse exemplo demonstra o nível de eficiência que um sistema bem estruturado pode atingir, mas não deve ser tratado como uma regra aplicável a qualquer propriedade.
Reproduzir esse número sem conhecer a produtividade da área, a alimentação fornecida, as instalações e o manejo poderia levar o iniciante a uma decisão equivocada.
A pergunta correta não é apenas “quantos animais cabem em um hectare?”, mas sim:
Quanto alimento essa área consegue produzir durante o ano e qual será o custo para manter o rebanho?
Confinamento ou criação a pasto?
Os dois modelos podem fazer parte de um projeto de ovinocultura.
No sistema a pasto, os animais aproveitam a forragem disponível na propriedade, mas a produção fica mais dependente do clima, da qualidade da pastagem e da capacidade de suporte da área.
No sistema intensivo ou confinado, existe maior controle da dieta e do ganho de peso.
Em contrapartida, aumenta a necessidade de comprar ou produzir alimento, organizar instalações e controlar cuidadosamente os custos.
Para cordeiros destinados ao abate, Daniel destaca algumas vantagens do confinamento.
O animal pode atingir o peso desejado mais cedo, movimenta-se menos e recebe uma dieta planejada para sua terminação.
Isso não significa que todo cordeiro precise permanecer confinado durante a vida inteira.
Sistemas mistos e semiconfinados também podem ser utilizados.
A escolha deve considerar produtividade, bem-estar animal, disponibilidade de alimento, custo da dieta, mão de obra e objetivo comercial.
Quais são as melhores raças para produção de carne?
Entre as raças mencionadas no episódio estão Dorper, White Dorper e Santa Inês.
A raça Dorper foi desenvolvida na África do Sul com foco na produção de carne e na melhoria das características de carcaça.
O White Dorper compartilha essa aptidão, diferenciando-se principalmente pelo padrão de pelagem.
No Brasil, o cruzamento de reprodutores Dorper ou White Dorper com matrizes Santa Inês é utilizado para reunir características complementares.
A Santa Inês contribui com rusticidade, adaptação e habilidade materna.
Dorper e White Dorper acrescentam aptidão para carne, musculatura e precocidade.
O objetivo do cruzamento não é simplesmente misturar raças, mas produzir cordeiros adequados ao ambiente, ao sistema de manejo e ao mercado atendido.
Raças lanadas, como Ile de France, Texel, Suffolk, Hampshire Down e Poll Dorset, também aparecem em sistemas voltados à carne.
A decisão deve considerar clima, manejo, disponibilidade genética e planejamento comercial.
O que significa um cordeiro precoce?
Precocidade é a capacidade de atingir mais cedo o desenvolvimento e o acabamento necessários para o objetivo de produção.
Daniel relata que os cordeiros trabalhados pela empresa podem chegar a aproximadamente 45 quilos com quatro ou cinco meses, dependendo da genética, da alimentação e do manejo.
Um ciclo mais rápido permite reduzir o tempo entre o nascimento e a comercialização.
No entanto, buscar velocidade sem equilíbrio nutricional ou sanitário pode comprometer o resultado.
A precocidade não depende somente da raça.
Ela é resultado da combinação entre:
• genética
• habilidade materna
• nutrição
• sanidade
• ambiente
• manejo
• controle reprodutivo
A espécie ovina possui um ciclo produtivo mais curto do que o dos bovinos, especialmente quando se considera o período de gestação e a idade potencial de abate dos cordeiros.
Esse ciclo mais rápido é uma das características que despertam o interesse de novos produtores.
Genética não é apenas aparência
Na produção animal, um exemplar visualmente impressionante nem sempre será o mais eficiente.
Animais destinados ao melhoramento genético precisam transmitir características que tragam resultados ao rebanho, como fertilidade, habilidade materna, ganho de peso, precocidade, funcionalidade e qualidade de carcaça.
Durante o episódio, Daniel chama atenção para a necessidade de ampliar o uso de informações objetivas na seleção ovina.
Em espécies como os bovinos, avaliações genéticas e índices produtivos já exercem grande influência nas decisões de compra.
Na ovinocultura, exposições e padrões raciais continuam importantes, mas devem caminhar junto com informações de desempenho.
O objetivo final não é produzir apenas um animal bonito.
É produzir um animal funcional, capaz de gerar descendentes adequados à finalidade do criatório.
O cuidado ao comprar os primeiros animais
Quem pretende iniciar uma criação precisa pesquisar a procedência dos animais.
Comprar apenas pelo menor preço pode introduzir no rebanho problemas funcionais, baixa produtividade ou genética incompatível com o objetivo do negócio.
Daniel recomenda conhecer o criatório, visitar a propriedade e entender os critérios adotados na seleção.
Também é importante buscar o acompanhamento de veterinários, zootecnistas ou técnicos especializados.
O produtor deve observar:
• histórico sanitário
• condição corporal
• aprumos
• sistema reprodutivo
• dentição
• características raciais
• desempenho dos pais
• adaptação ao sistema de criação
• documentação e registro, quando aplicáveis
Começar com um grupo menor de animais adequados pode ser mais seguro do que adquirir um grande rebanho sem planejamento.
A carne brasileira e o produto importado
O Brasil possui histórico de importação de carne ovina, principalmente de países do Mercosul.
Esse movimento está relacionado à necessidade de complementar a oferta e à competitividade de preço do produto importado.
No episódio, Daniel afirma que mais de 80% da carne de cordeiro consumida no Brasil vem de fora.
Esse percentual foi apresentado pelo convidado durante a entrevista, mas precisa ser tratado com cuidado, pois não encontramos uma fonte oficial recente que confirme exatamente essa proporção.
Por isso, o ponto mais seguro é afirmar que o Brasil ainda importa parte relevante da carne ovina consumida internamente.
Daniel também explica que determinadas peças importadas podem chegar ao mercado com preços inferiores aos praticados pelo produto nacional.
Isso influencia especialmente compradores que trabalham com grandes volumes e priorizam custo.
Por outro lado, existe um público interessado em carne produzida com procedência, padronização e características específicas de maciez, idade e acabamento.
A discussão não deve ser reduzida à ideia de que todo produto brasileiro é superior ou de que toda carne importada é inferior.
Existem diferentes categorias de produto, sistemas de produção, padrões de qualidade e faixas de preço.
Para o consumidor, a informação é fundamental.
Conhecer a origem, o tipo de corte e a forma de produção ajuda a fazer uma escolha mais consciente.
O mercado informal e a profissionalização da atividade
É comum que pequenos criadores comecem vendendo animais diretamente para conhecidos, vizinhos ou consumidores da região.
Essa comercialização pode oferecer uma saída inicial para volumes pequenos, mas apresenta limitações quando a produção aumenta.
Um criador que passa a produzir dezenas de cordeiros por mês precisa de canais capazes de absorver esse volume regularmente.
Além da questão comercial, o abate e a venda de carne devem respeitar as exigências sanitárias e legais.
A profissionalização da atividade passa pela relação com frigoríficos inspecionados, cooperativas, marcas, restaurantes, açougues e distribuidores.
No caso da Interlagos Gourmet, os restaurantes representam uma parcela importante das vendas porque realizam compras recorrentes.
Supermercados, açougues e consumidores finais também fazem parte da operação.
A proteção do rebanho
Outro tema interessante abordado no episódio foi a proteção dos animais contra ataques de cães e predadores.
Daniel explica que a ovelha possui dificuldade para se defender.
Além de ferimentos e mortes, a presença de predadores pode provocar estresse, abortos e prejuízos significativos ao produtor.
Na Cabanha Interlagos, uma das soluções utilizadas é o cão da raça Maremano Abruzês.
Diferentemente dos cães de pastoreio, utilizados para conduzir e movimentar o rebanho, o Maremano atua como cão de proteção.
Ele permanece junto aos animais e desenvolve uma relação de pertencimento com o grupo.
Seu papel é afastar cães invasores, ladrões e outros possíveis predadores.
O ideal é que o contato com o rebanho comece quando o cão ainda é jovem, permitindo que ele reconheça os animais como parte do grupo que deve proteger.
Da fazenda ao prato
A presença da cozinha no episódio ajuda a mostrar que o resultado de todo o trabalho realizado no campo é percebido no momento do consumo.
O T-bone preparado durante a conversa reúne uma parte do lombo e uma porção do filé-mignon.
Por ser um corte pequeno e delicado, exige atenção durante o preparo.
Os participantes também mencionam cortes como carré francês, paleta, pernil, costela e picanha de cordeiro.
Cada corte possui características próprias e pode atender diferentes ocasiões e orçamentos.
Ampliar o conhecimento do consumidor sobre essas opções é importante para aumentar o aproveitamento da carcaça e não concentrar a procura somente nos cortes mais conhecidos.
Embora o episódio mencione possíveis vantagens nutricionais da carne de cordeiro, comparações de saúde entre diferentes carnes dependem do corte, do teor de gordura, do preparo e da quantidade consumida.
Por isso, afirmações nutricionais específicas devem ser acompanhadas de estudos adequados e não foram tratadas aqui como uma conclusão geral.
O que esse episódio ensina para quem deseja começar?
A principal lição é que a ovinocultura pode representar uma oportunidade, mas precisa ser administrada como negócio.
Antes de comprar animais, é necessário planejar alimento, instalações, manejo e comercialização.
A escolha genética deve estar alinhada ao objetivo da propriedade.
A quantidade de animais precisa respeitar a capacidade produtiva da área.
Também é necessário entender que produzir mais não é suficiente.
O mercado profissional procura qualidade, frequência e padronização.
Parcerias entre criadores, cooperativas, frigoríficos e marcas podem ajudar a conectar pequenos produtores a compradores maiores.
Esse tipo de organização reduz dificuldades logísticas e cria mais previsibilidade para a cadeia.
Perguntas frequentes sobre criação de cordeiros
Vale a pena investir em ovinocultura?
A atividade pode ser economicamente interessante, mas o resultado depende de planejamento, custos, produtividade e acesso ao mercado.
Não existe garantia de lucro apenas porque a procura está crescendo.
Quanto de terra é necessário para criar ovinos?
A área varia conforme o sistema de produção, a qualidade da pastagem, a quantidade de alimento produzido e o número de animais.
Sistemas intensivos podem trabalhar em áreas menores, mas costumam exigir maior investimento em alimentação e estrutura.
Qual é a melhor raça para carne?
Dorper, White Dorper, Santa Inês, Texel, Ile de France e outras raças podem ser utilizadas.
A melhor escolha depende do ambiente, das matrizes disponíveis, do objetivo comercial e do sistema adotado.
Em quanto tempo um cordeiro pode ser abatido?
No sistema apresentado por Daniel, alguns cordeiros atingem aproximadamente 45 quilos aos quatro ou cinco meses.
O tempo varia de acordo com genética, alimentação, sanidade e manejo.
É melhor criar a pasto ou em confinamento?
Os dois modelos podem funcionar.
O confinamento oferece maior controle da dieta e da terminação, enquanto o pasto pode reduzir determinados custos alimentares.
A decisão deve considerar toda a operação.
É possível começar com poucos animais?
Sim, desde que exista planejamento.
Começar em menor escala pode ajudar o produtor a desenvolver experiência antes de ampliar o rebanho.
Assista ao episódio completo
No episódio da Central da Marcha na Cozinha, Daniel Cipolletta apresenta sua trajetória, explica o funcionamento da Cabanha Interlagos e mostra como genética, produção, padronização e comercialização estão conectadas.
A conversa também aborda sistemas de criação, escolha das raças, parceria com produtores, proteção do rebanho e o crescimento do mercado da carne de cordeiro.
Links Úteis
Cabanha Interlagos
https://www.instagram.com/cabanhainterlagos/
Interlagos Gourmet
https://www.interlagosgourmet.com.br/
COOVICAP
https://www.instagram.com/coovicap/
Central da Marcha
https://www.instagram.com/centraldamarcha/
Fontes e observações editoriais
Os dados sobre o rebanho brasileiro de ovinos foram baseados na Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE.
Fonte:
https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/ovino/br
As informações sobre Daniel Cipolletta, a Cabanha Interlagos, a Interlagos Gourmet, os volumes de produção e o funcionamento das parcerias foram apresentadas durante o episódio.
Os números comerciais mencionados pelo convidado devem ser tratados como informações fornecidas pela empresa e não como dados oficiais de todo o mercado brasileiro.
O percentual de mais de 80% de carne importada citado na entrevista ainda precisa de uma fonte oficial recente para ser publicado como dado nacional confirmado.




